CASTELO DE SILVES
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beleza, foi morada de príncipes e reis. Este castelo talvez o
mais magnifico de Portugal foi construído pela grandeza Romana tocado pela arte Árabe.
Está rodeado de poderosas muralhas e grandes torres impossíveis de escalar.
É
crível ter tido ocupação humana já em tempos pré-históricos o alto da modesta colina
onde tem assento a cidade de Silves, junto da qual corre o Arade; é possível que no primeiro, milénio antes de Cristo os Fenícios, cujo
interesse pelas pescas em mares algarvios é
conhecido, alguma vez, mesmo por curiosidade, tivessem sulcado as águas daquele rio,
então plenamente navegável, como continuou durante larguíssimo tempo, pois ainda o era
nos fins da Idade Media. Mais seguro é ter havido ali ocupação romana; porém a
respeito de tudo isso e dos sucessos subsequentes até ao tempo do domínio árabe, quase
não pode sair-se do campo das conjecturas,
Só
relativamente aos tempos posteriores ao século X é possível tratar com alguma
Segurança a história de Silves, que nos começos do século seguinte constituía um
pequeno principado, Deste se apossou em 1052 o hagibe do reino de Sevilha, Almotadide. A
esta efeméride se seguiria a de ter sido Silves conquistada e saqueada por Fernando Magno
em 1060, se à respectiva tradição, aliás repetida como verdade histórica mesmo em
publicação oficial, pudesse ligar-se inteiro credo, porquanto tudo quanto rigorosamente
pode afirmar-se é ter aquele notável monarca leonês-castelhano talado em data anterior
à da sua conquista de Coimbra, 1064, os reinos muçulmanos de Saragoça, Toledo e por fim
Sevilha; porém é altamente provável que esta última campanha se realizou em 1063, e
não há qualquer noticia de que ela se tenha alargado para além da região sevilhana.
Vivendo à
margem quer das discórdias entre os vários estados em que se repartia o império
almorávida, quer das lutas que a vinda de novos dominadores, os marroquinos Almóadas,
provocou desde 1134 até ao estabelecimento desta nova unidade muçulmana peninsular pelo
califa lúçufe em 1171, Silves não deixara de engrandecer-se, e era, no declinar do
século XII, uma opulenta cidade, enriquecida por um grande comercio e afamada como centro
cultural.
Reinava
então em Portugal, desde 1185, o segundo monarca português, D. Sancho I, personagem
afeita às algaras longínquas, pois já em 1178, ainda infante, fora assaltar Sevilha;
agora, entrado o ano de 1189, era o Algarve ocidental, e particularmente Silves, aquilo
que chamava a sua atenção. Precedida de uma primeira expedição com que, auxiliado por
Cruzados frísios e dinamarqueses, D. Sancho I foi destruir Alvor e o seu castelo, a
realização daquele máximo objectivo pode ser visado pelo monarca português logo que,
no Verão do mesmo ano, uma outra armada de Cruzados. esta de ingleses e alemães, passou
pelo Tejo e se prestou a colaborar no projectado feito. Concentradas as forças há vista
de Silves na segunda quinzena de Julho, foi então possível medir a magnitude da empresa,
pois a cidade, tanto pela situação ocupada, como pelas suas
formidáveis defesas, oferecia sérias dificuldades de expugnação. No alto, um forte
castelo a amparava, e também uma cinta de muralhas, eriçadas de ameias e reforçadas por
torres, a protegia; por fora desta estendia-se o arrabalde, igualmente defendido por forte
muralhamento. No entanto, o ataque foi iniciado, e com felicidade, pois logo se alcançou
a posse do arrabalde. Mas a conquista da cidade e do castelo exigiu sangrentos assaltos e
um longo assedio só terminado em 2 de Setembro, data em que os defensores capitularam, e
após à qual os ferozes guerreiros nórdicos se entregaram a um cruel e demorado saque,
que o rei de Portugal não pode impedir ou minorar, embora por tal se esforçasse. Perdida
para os Portugueses em 1191, quando reconquistada por forças almóadas, Silves só voltou
a ser terra portuguesa, e então definitivamente, uns sessenta anos depois. Não em 1242 e
expugnada por D. Paio Peres Correia e pelos seus frades militares da Ordem de Santiago,
como por vezes se tem dito e repetido, pois já Herculano contestou isso invocando boas
razões, mas sim alguns anos mais tarde, quando, no começo do reinado de D. Afonso III se
realizou a conquista definitiva do Algarve, para oeste de Tavira e Cacela, já
conquistadas por D, Sancho II.
Positivo
é que o bispado de Silves, existente nos dois anos de efémera posse portuguesa. 1189 a
1191, foi restaurado em 1253, e que a cidade recebeu foral em 1266, sendo aceitável a
tradição de que o monarca outorgante, D. Afonso III, mandou efectuar demoradas obras de
restauro nas fortificações, pois grandes devem ter sido os estragos ocasionados por
sucessivas conquistas e reconquistas. Não menores foram, porém, os causados por
repetidos abalos sísmicos, mormente o de 1755; de tal modo, que, há poucos anos, quase
tudo quanto das vetustas fortificações restava, grande parte remontando aos tempos do
domínio árabe, estava por terra ou grave risco de completa ruína. 
acudiu, porém, a isso a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, desafrontando, consolidando e mesmo reconstruindo; assim, é agora possível reviver pela imaginação, á vista dessas ressuscitadas muralhas e torres, a parcela de honra que a Silves cabe na história da constituição territorial da Nação Portuguesa.
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