CASTELO DE OURÉM
![]()
Com possível origem em tempos sem historia, tal
é a sua antiguidade, foi construído no alto de monte tendo por base outras construções
mais antigas, dominando todo o que lhe está subjacente.
Ourém,
a velha vila que o megassismo de 1755 grandemente destroçou, e cujos principais
monumentos depois disso restaurados vieram a ser vitimas em 1810 da vandálica acção das
tropas francesas de Massena, fora até ao século XVIII uma notável povoação. 
Assente no
alto duma colina de declive alcantilado em certos lugares, essa situação topográfica e
o facto de morrer a não longa distância uma ribeira induzem a crer que desde remota
época pré-histórica tivesse sido assento de ocupação humana, atravessando depois em
circunstâncias mal conhecidas os seculares tempos durante os quais a região esteve
sucessivamente dominada por romanos, suevos, visigodos e árabe-berberes, até ser
libertada deste último domínio e integrada nas terras que para o sul iam prolongando o
recente reino de Portugal.
Documentalmente,
a sua história não remonta para além do século XII; o nome Ourém aparece pela
primeira vez em 1159 no diploma que doando aos templários o castelo de Ceras e o seu
termo, inclui nas confrontações destes um local assinalado com o nome de portum Ourens,
crivelmente um vau da ribeira de Ourém. A velha vila assim chamada foi objecto da
doação feita por D. Afonso Henriques a sua filha D. Teresa, em data que se desconhece,
mas certamente bastante anterior a 1180, visto que neste ano outorgou a infanta aos
moradores de Ourém direitos municipais concedendo-lhes foral.
Em 1299
ainda o povoamento desta vila, que entretanto revertera a Coroa, continuava fraco, visto
te-la D. Dinis doado nesse ano a Martim Lourenço da Cerveira com obrigação de o
promover; porém relativamente ao século XIV há base documental que permite crer muito
aproximado ao de Torres Novas, ou ao de Pombal, o número dos seus moradores. Nos fins
deste século andou Ourém relacionada, como quase todas as terras portuguesas, com as
vicissitudes da crise dinástica subsequente ao falecimento de D. Fernando. Sob autoridade
do Conde de Barcelos, João Afonso Tela de Meneses, irmão da rainha viuva Leonor Teles a
vila não apoiou, decerto contra a vontade dos seus moradores, o movimento patriótico
chefiado pelo Mestre de Avis, futuro D. João I; foi porém conquistada no começo do
verão de 1384 pelo Mestre da Ordem de Cristo, e assim ficou incluída na falange de
povoações que se negavam a reconhecer quaisquer direitos régios ao monarca castelhano.

D. João,
como consorte da filha e herdeira do defunto monarca português. Por ai fez transito e
algum estacionamento a hoste do Condestável nas vésperas de Aljubarrota.
Monumentalmente,
o esplendor de Ourém foi obra quatrocentista dos condes de Ourém e duques de Bragança,
em cuja opulenta casa ducal a vila estava incluída. Mas não só o palácio dos condes e
a Colegiade, em cuja cripta jaz, num artístico túmulo, o conde D. Afonso, marquês de
Valença, recordam essas iniciativas, pois também acrescentamentos operados no castelo
então foram realizados.
Desde
muito cedo, a velha vila de Ourém deve ter sido povoação fortificada. Com
verosimilhança se crê que já o fosse nesses tempos da dominação muçulmana; mas a
documentação só se lhe refere, pela primeira vez, em 1178, embora em termos de poder
considerar-se já anterior a sua existência.
Arruinado
pelo megassismo de 1755, e descurado por uma população minimizada pela criação da
vizinha Vila Nova de Ourém, dele restavam há poucos anos apenas algumas torres e
arruinados panos de muralha porém a Fundação da Casa de Bragança
benemeritamente promoveu obras de restauro e reedificação que restituíram a sua
primitiva grandiosidade, melhor recordando assim que por ali ecoou em horas trágicas e
voz de Portugal,