CASTELO DE MONTEMOR
O VELHO

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Belo e maravilho, este castelo teve inicio em antigo castro já lá vãos mais de 2000 anos.amontemorvel1.jpg (5236 bytes)

         Na margem direita da Mondego, a umas folgadas três léguas da sua foz, emerge entre viçosos campos de cultura num não muito alteroso monte, em cujo cimo se ergue o castelo que em antigas eras foi amparo militar do crescimento populacional e económico da Florescente vila de Montemor o Velho.

         Toda a vasta parte cimeira da referida elevação constitui amplo terreiro, circuitado por muralha de planta muito irregular cingida às condições topográficas, e dentro do qual no ângulo sueste, tem assento a torre de menagem. Numerosos cubelos retocam a muralha, namont6.jpg (5884 bytes) qual se abrem duas portas de acesso ao terreiro, uma a sueste, proximo daquele torre, o Arco da Peste, e outra a sudoeste, o Arco da Senhora do Rosário. A extensão e a configuração do castelo, tais como chegaram até aos modernos tempos, não são, evidentemente, as primitivas, mas sim as resultantes duma longa evolução construtiva, cortada século após século de destruições, seguidas de reconstruções, bem como de sucessivos melhoramentos, tudo isso ao sabor dos eventos políticos e militares de que ele foi objecto, numa serie de vicissitudes que acompanhou a sua longa história. mont5.jpg (6135 bytes)

         Longa história, com efeito, porquanto a mais remota noticia concreta da existência duma construção casteleira no morro de Montemor o Velho remonta aos primeiros tempos da Reconquista Cristã; mais precisamente aos últimos anos do reinado do monarca astur-leonês Ramiro I, o qual, tendo arrancado ao poder dos muçulmanos a povoação, no ano 848 da nossa era, doou, entre outros, os rendimentos dela a um sobrinho seu, o abade João, monge do convento de Lorvão, cenóbio então em grande decadência, conferindo-lhe simultâneamente o encargo de a defender, mantendo guarnição militar no castelo, Refere uma secular tradição que no tempo desse religioso foi Montemor-o-Velho violentamente atacado por forças muçulmanas do califa de Cordova, comandadas por um cristão renegado, Garcia lanhez – Zuleima, então, entre os muçulmanos e que os defensores, achando-se em grande aperto, deram morte aos demais habitantes, mesmo a seus muito próximos parentes, a fim de lhes pouparem cativeiro e possíveis afrontas dos já bem previsíveis vencedores, e depois arremeteram contra o inimigo, decididos a morrer combatendo; fizeram-no, porém, com tal ímpeto, que os levaram de vencido, ao contrário do aliás logicamente esperado, dada a superioridade numérica da hoste muçulmana. Ao ser recordada já no século XVIII, e oficializada por diploma de D. João V, a tradição enriquecera-se, porém, com um desfecho claramente lendário, mas profundamente sentimental, o de, miraculosamente ressuscitados, saírem ao encontro dos vencedores aqueles seres a que tinham tirado a vida em cruel mas bem intencionada resolução.

   mont1.jpg (52844 bytes)      Na segunda metade do século X e primeira do imediato, toda a região entre o Douro e o Mondego conheceu alternativas de domínio cristão e muçulmano. Quanto a Montemor-o-Velho, sabe-se que após a sua conquista pelo celebre Almançor em 990, voltou à posse cristã em 1017, à muçulmana em 1026, e finalmente à cristã em 1064, embora com repovoamento seguro só desde a época – 1055 a 1064 – em que a acção reconquistadora empreendida par Fernando Magno tornou definitivamente cristã toda a região até ao Mondego, tão demoradamente litigiosa. Entregando ao Conde Sisnando o governo do distrito conimbricence e seus castelos, aquele monarca implicitamente lhe confiava os cuidados de melhoramentos de Montemor-o-Velho; falecendo, porém, a breve trecho, foi já Afonso VI, seu sucessor no duplo reino de Leão e Castela, quem ordenou o restauro do castelo, antes de 1091, data da morte do conde Sisnando. Um documento de 1095, de que isso consta, traça um breve mas impressionante quadro da situação que determinou a ordem régia: arrasado outrora o castelo pelos muçulmanos, um matagal cobrira as ruínas, tornando-as covil de feras, a demandar o prescrito remédio.

Na aurora do Portugal nascente, o conde Henrique, dando foral a povoação em data seguramente anterior a 1111, decerto não descurou a eficiência militar do castelo, como se viu meia dúzia de anos depois, por ocasião de nova invasão muçulmana assoladora da região. Quando, em 1128, o moço Afonso Henriques assumiu o governo da terra portucalense, não há noticias de que lhe fosse contrário o alcaide montemorense, então Paio Midis. De anos subsequentes são conhecidas algumas notícias alusivas ao castelo; em meados domont4.jpg (31968 bytes) século XII é citado pelo geógrafo árabe Adrisi, e um documento de 1135 alude às muralhas como ponto de referência; mas é preciso chegar ao século XIII para que, como teatro de perturbações da vida nacional, a sua história se avivente, Venhamos, pois, a 1211; D. Sancho I morrera na primavera desse ano, deixando contemplados em testamento todos os seus filhos e filhas; e entre os senhorios que legara figurava o de Montemor-o-Velho, estipulado em favor da infanta D. Tersa. O novo rei, D. Afonso II, cioso da autoridade régia, exigiu o retorno desses senhorio à Coroa; a questão azedou-se, e o castelo de Montemor-o-Velho chegou a ser  cercado por hoste régia, com evidente perigo da infanta, que nele se refugiara. Mas o assedio foi levantado; a questão, todavia arrastou-se e até 1216, sendo então resolvida por intervenção  do pontífice Inocêncio III. Um século depois, em 1321. o castelo de Montemor-o-Velho figurou entre as conquistas do futuro Afonso IV, então em rebeldia contra seu pai, o rei D. Dinis. Após dois séculos e meio de natural decaimento militar e vida rotineira, o castelo deve ter recebido a visita do patriótico Prior do Crato, D. António, que na vila esteve em 1580, quando tentava defender na linha do Mondego os restos da sua infelizmente abalada realeza; mont2.jpg (6907 bytes)

         Depois um pesado abandono ficou pesando sobre essa fortificação; no seu amplo terreiro instalaram-se campos de cultura, e muitas das suas pedras foram levadas para outras construções. Mas nem tudo se perdeu; por 1929, um ilustre montemorense, António Rodrigues Campos empreendeu uma campanha de defesa e promoveu ali alguns restauros, dando assim clara mostra de que a gloriosa história dessas enegrecidas ruínas não mergulhara em definitivo esquecimento.

Foi ponto de muitas batalhas entre os povos que pela Península lutaram. Foi habitação de Alcaide e é um lugar de contos e lendas de encantar quem quer que as possa ouvir.

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