CASTELO DO MARVÃO

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Talvez um dos mais emblemáticos e agrestes castelo Portugueses, surpreende-nos pela sua austeridade e extraordinária beleza.marvao6.jpg (7603 bytes)

No mais alto dos píncaros da serra de Marvão, duas dezenas de quilómetros a nornordeste de Portalegre, tem assento a vila que à serrania deu o nome, e que, se porventura corresponde à povoação lusitana denominada Medobriga, entrou na história quando, nos meados do primeiro século da era cristã, decorrendo as lutas travadas na Península entre César e Pompeu, tropas daquele, sob o comanda do propretor Caio Longino, a conquistaram.

         Situada a poucas centenas de metros da ponte da Portagem, pela qual transpunha o Sever a rodovia integrada no sistema vial com que mais tarde os Romanos dotaram a Península, e que, vinda de Cáceres, se dirigia a Santarém, muito natural é que eles se interessassem por aquele alto que comandava o curso do referido afluente do Tejo. marvao4.jpg (54886 bytes)

         Do que ali se passou em tempo dos sucessivos dominadores da região, Romanos, Suevos, Visigodos e Árabes, nada se sabe com Segurança, e só dos tempos muçulmanos, uma tradição, com seu ar de lendária, atribui a certo chefe denominado Marvam a conquista da povoação e a origem do persistente topónimo.

         De qualquer modo, Marvão era ainda Muçulmana quando já as hostes do primeiro Rei português se tinham assenhoreado de Alcácer do Sal, e mesmo penetrado no coração do Alentejo. A conquista de Marvão pelos Portugueses é geralmente atribuída a 1166, ano que nalguns escritos aparece transformado em 1116, por evidente lapso. Aquela data corresponde realmente à conquista e temporária posse de Cáceres, Montanches e Serpa, precedida no ano anterior pela de Trujilho e pela reconquista definitiva de Évora; porém, quanto a Marvão, não se conhece qualquer documentação que integre a sua conquista nessa serie de operações militares. Todavia em 1214 era já firmemente portuguesa, pois se indica na demarcação no termo de Castelo Branco.      marvao5.jpg (7377 bytes)

         Acentuando-se os seus progressos e o interesse português por essa praça fronteiriça, recebeu Marvão foral em 1226.

Meio século depois, nos primeiros tempos do reinado de D. Dinis, Marvão, cujo senhorio, conjuntamente com os de Portalegre, Arronches e Castelo de Vide, Afonso III outorgara a um dos seus filhos, Afonso Sanches, figura de algum modo na discórdia então travada entre este infante e aquele Rei, seu irmão primogénito. marvao3.jpg (7372 bytes)

         Nos fins do século XIV, Marvão tomou parte entre as primeiras terras portuguesas que secundaram o Mestre de Avis, D. João, no levantamento nacional subsequente à morte de D. Fernando; e, séculos volvidos, um idêntico sentimento patriótico fez ecoar em Marvão o grito de revolta de 1808, com a primeira invasão francesa.amarvao1.jpg (8405 bytes)

Povoação fortificada, Marvão conserva quase intactas as suas velhas edificações militares, que no seu conjunto representam o somatório de reconstruções e ampliações, paralelas à história da vila, e cujos inícios remontam, possivelmente, a um passado já romano e ao de construções muçulmanas. Esse conjunto é constituído por uma muralha interior, torreada, que cerca o terreiro do castelo, e adossada à qual se ergue a torre de menagem cuja construção é atribuída a D. Dinis. Envolvendo esse núcleo há uma segunda muralha, ameada e torreada, e por fim uma barbacã. Finalmente, partindo daquela, alonga-se a muralha que circuita a vila, e na qual, em tempos da Restauração, foram acrescentados alguns baluartes de configuração adequada à setecentista arte militar.

         Por este conjunto cuidadosamente tem velado a louvável Liga dos Amigos do castelo de Marvão, que assim simultaneamente torna perdurante a memória do patriótico passado da sua terra.

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