CASTELO DE NEIVA
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         A estrada litorânea que do Porto se dirigi para o norte, transpõe, a meia distância entre Esposende e Viana do Castelo, um pequeno rio, o Neiva, após o que, percorrido  um par de quilómetros, vai passar nas proximidades duma alta colina que, entre campos verdejantes, se lhe ergue à direita, e em cujo cume, dominando vasta região, se erguia outrora um castelo, o de Neiva, do qual adveio chamar-se a povoação dele vizinha Castelo de Neiva, quando anteriormente, em tempos medievais, tivera ela como nome o do orago da freguesia. S. Tiago, acrescido duma perífrase de feição topográfica, já referente ao castelo, S. Tiago de ao pé do castelo, denominação que, no medievo latim das mais antigas Inquirições, as de 1220, assim é dita Santo Jacobo de juxta castellum. neiva5.jpg (11748 bytes)

         Desse castelo nada resta, mas é possível visioná-lo, e visioná-lo com respeito, porquanto, erguido à beira da estrada que precedeu a actual, sem dúvida constituiu, na hora da independência de Portugal, uma das sentinelas vigilantes duma das vias de invasão da terra portuguesa. Foi todavia noutra hora também de crise nacional, a do advento da dinastia de Avis, que se escreveu a mais conhecida página da sua história, então semelhante a do castelo de Guimarães, visto figurar entre as terras cujos defensores, por motivos de um mal entendido, legalismo, as mantinham por D. Beatriz e pelo seu consorte castelhano. neiva3.jpg (11270 bytes)

         Ia começar a campanha do Minho, subsequente à aclamação de D. João I nas Cortes de Coimbra; e enquanto o Rei preparava a sua ida ao Porto, base das previstas operações militares, àquela cidade se dirigiu o Condestável, que ele encarregara de organizar reforços navais destinados à defesa de Lisboa, ameaçada por uma armada castelhana.

         Dado comprimento a essa missão, resolveu Nun´Álvares ir em romaria ao túmulo do Apóstolo Santiago, na Galiza, intuito ao qual associou, todavia, o de assenhorear-se de algumas terras onde não fosse ainda reconhecida a autoridade de D. João I. Fazendo então caminho por Leça, em direcção a Darque e Viana, foi passar pelo castelo de Neiva, aí chegando ao por do sol dum certo dia, hora a que logo se travou um rijo combate. Era o castelo «mui forte e bem defendente», disse o cronista Fernão Lopes, sendo assim de prever uma longa resistência. Tal não sucedeu, porém, pois quis o acaso que a pouco tempo do começo da luta uma seta atingisse mortalmente no rosto o alcaide, entregando-se depois a guarneço do castelo. neiva2.jpg (68688 bytes)

         Logo a castelã viúva veio avistar-se com Nun´Álvares, lembrando-lhe o respeito da sua dignidade e fidalguia, e ele, “ao outro dia pela manhã a mandou honradamente, com certos  homens de cavalo e a pé, a Ponte do Lima, a seu pai». Depois, deixando ali «Pero Afonso do Casal com certos homens de armas e de pé», prosseguiu o Condestável viagem com o grosso da sua gente. neiva4.jpg (40424 bytes)

         Depois disto, o castelo de Neiva mergulha na penumbra da História; e pelos séculos fora, pouco a pouco, mesmo a sua figura material, talvez altaneira, se esbata até desaparecer. Hoje, e já desde há muito não existe dele uma só das suas pedras no lugar próprio; o desrespeito dos homens as levou para outros lugares, destinados porventura à construção ou restauros de edifícios religiosos, e também, decerto empregadas em outros fins bem menos dignificantes. Só a marca dos alicerces, abertos na penedia, e que, lá no alto, são ainda em parte visíveis, constitui derradeiro vestígio material da sua remota existência.

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