CASTELO DE CASTRO
MARIM

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Uns setenta quilómetros ao sul de Mértola, sobre a mesma margem direita do Guadiana, e não longe da orla que por ali debrua as águas orientais do incipiente estuário, está Castro Marim, povoação algarvia cuja remota antiguidade é testemunhada pelos achados de olaria pré-histórica, de instrumentos da era do bronze e de utensílios, lápides e restos arquitectónicos, que comprovam a ocupação humana do lugar desde remotas idades milenárias até aos tempos já históricos de Fenícios, Gregos, Cartagineses, Romanos, Visigodos e Árabes Berberes, marim3.jpg (9768 bytes)

         Sujeita durante cinco longos séculos ao domino muçulmano, Castro Marim só foi dele libertada quando as conquistas empreendidas por D. Sancho II ao longo do baixo Guadiana atingiram, em 1238, a foz do rio. Desde então, Castro Marim teve uma interessante história na qual são de assinalar alguns dos mais relevantes eventos; em 1277 foi-lhe outorgado o seu primeira foral; em 1319, após ter o pontífice extinguido a Ordem do Templo, escolheu-a D. Dinis para sede da Ordem de Cristo, que fundara com os bens dos Templários portugueses e na qual ingressaram alguns desses frades cavaleiros; em 1580, poupou-a o destino ao desdouro de ser feito aí pelos Governadores do Reino, fugidos aos partidários de D. António, Prior do Crato, a declaração de reconhecimento dos direitos do rei castelhano Filipe lI ao trono de

Portugal, pois eles a foram fazer a Aiamonte por ordem do aludido monarca; desde 1641 esteve a postos na defesa militar e política da Restauração.

         Assentes em modesto desnível sobranceiro à povoação, perduram as fortificações desta vila acastelada, as quais representam o somatório de construções, reparos e ampliações, que século após século se foram sucedendo. marim2.jpg (13755 bytes)

         Pode imaginar-se que os primeiros dominadores do local, e particularmente os Romanos, o tivessem dotado de algumas obras militares; mais seguro é decerto atribui-las aos muçulmanos, que tão demoradamente o senhorearam, Sob domínio português, Castro Marim tinha um castelo, construído ou melhorado muito provavelmente por D. Afonso III, pois quando D. Dinis assentou ali a Ordem de Cristo essa edificação foi-lhe doada. Este monarca alegou então ser a terra forte e bem defensável, afirmação em que pode ver-se alusão a novos melhoramentos casteleiros, No reinado de D. Pedro já um começo de ruína por ali se patenteava, pois nas Cortes de 1361 se ouviram queixas contra as Ordens em geral, por descurarem a conservação de seus castelos; e mais categoricamente se disse, nas de 1475, estarem derrocados os do Algarve, citando-se entre eles o de Castro Marim. Coube a D. Manuel prover de remédio essa ruína, quando, em 1540, deu à vila o seu novo foral; quatro anos depois, o Livro das Fortalezas de Duarte d´Armas incluía um desenho do castelo de Castro Marim em perfeita reconstrução e com todas as partes componentes, ainda visíveis no seu actual estado; uma torre de menagem, adossada à muralha quadrangular que torreões cilíndricos reforçam nos ângulos, e, partindo desta, o muralhamento defensivo da ainda então modesta vila, Sobrevindo a Guerra da Restauração acrescentou-se a essas fortificações medievais, um tanto afastadamente, uma fortaleza abaluartada, à moda do tempo, ligada aquelas por extensa cortina.

E assim chegaram até aos nossos dias, tocadas pelas investidas do tempo, mas evocadoras de passadas glórias, as construções caseteleiras de Castro Marim.

 

 

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