CASTELO DO ALVITO
![]()
A
região que abrange o modestamente elevado altiplano onde, a uns trinta quilómetros ao
nor-noroeste de Beja, assenta a airosa vila de Alvito, foi nos primeiros séculos da era
cristã ocupada pelos Romanos; testemunhem-no os achados de moedas, lápides, restos de
edifícios, que por ali tem sido feitos. Provavelmente sede de explorações agrícolas,
assim se travessou os séculos, decerto sob vicissitudes várias, até ser abrangida pelo
definitivo alargamento das fronteiras austrais de Portugal. Por meados do século XIII
constituía uma herdade que andava na posse de particulares e do conselho de Évora, aos
quais a resgatou D. Afonso III em 1255 ou data próxima para a conceder,
com direitos senhoriais, a Estevão Anes, seu chanceler-mor, velho partidário, desde os
tempos em que anda simples Conde de Bolonha se agitava politicamente em França,
disputando a seu irmão, Sancho II, a coroa de Portugal, Assim nasceu a povoação de
Alvito, que em 1265 recebeu a visita do monarca doador, que com sua mulher e filhos ali
pousou, jornadeando de Évora para Beja, Segundo o costume feito lei, a estada do rei em
terra coutada abolia ipso facto os privilégios a ela inerentes por isso, o donatário,
sem embargo das intimas relações que oficialmente e mesmo particularmente o ligavam ao
soberano, logo tomou as precauções necessárias, solicitando e obtendo um diploma régio
de confirmação do couto, 
Não foi
essa, porém, a única vez em que Alvito acolheu personagens régios, Em Setembro de 1495,
D. João II, já minado pela doença que em breve o levaria ao túmulo, ali esteve
folgando algum tempo; em I de Novembro de 1531, estanciando em Alvito D. João III e a
rainha D. Catarina, ai Nasceu o infante D. Manuel, que veio a ser proclamado herdeiro do
trono nas Cortes de Évora de 1535, mas só viveu dois anos mais; mais tarde, é também
de assinalar a visita de D. Pedro V por ocasião da sua jornada pelo Alentejo, realizada
nos últimos diais de Setembro e primeiros de Outubro de 1861.
| Uma carta régia do rei D. Afonso V autorizou em 1482, D. João Fernandes da Silveira, (Ver página: http://villamaria.no.sapo.pt )primeiro Barão e senhor de Alvito a construir aqui um castelo. D. João Fernandes da Silveira foi o primeiro a receber o título de Barão em Portugal. Sete anos depois essa mesma autorização seria concedida ao seu filho, D. Diogo Lobo da Silveira, segundo Barão, por D. João II. |
Entretanto,
ao longo desses séculos, outros importantes sucessos se tinham inscrito nos fastos da
povoação. Estevão Anes, falecendo em 1279 sem herdeiros directos, legara-a aos frades
da Ordem da Trindade, e estes logo em 1280 a fizeram vila, concedendo-lhe o foral que D.
Dinis confirmou nove anos depois, seis apenas antes de instituir nela uma feira anual,
indicio seguro de progresso demográfico e económico. Em 1475, D. Afonso V outorgou o
titulo de barão de Alvito e o senhorio da vila ao alto funcionário régio João
Fernandes da Silveira, que em 1482 foi autorizado a construir ali um castelo,
autorização confirmada a seu filho, o 2º barão,
D. Diogo Lobo da Silveira, por D. João II em 1489 e por D. Manuel I em 1497. 
O Castelo é, pois, uma construção dos fins do século XV, embora possa admitir-se ter recebido já no começo do imediato os derradeiros complementos, De planta quadrangular, flanqueada nos ângulos por torres cilíndricas e dotada duma torre de menagem que, com base quadrada, se adossa a uma das fachadas, tudo isso coroado de ameias, essas características justificam a classificação que lhe é dada, Todavia as numerosas janelas, algumas com ressaibo mourisco, rasgadas em varias das suas faces e torres, correspondendo a finalidade domiciliária do monumento, dão-lhe mais o sabor de moradia solarenga, de que propriamente o caracter de fortaleza. Mas, decerto por isso, ele tem engrandecido, sem ruína, há quase cinco séculos, a nobre vila que progressivamente pouco a pouco foi crescendo à sua volta.
![]()